inverno.
sou como o fogo que encandeçe em tardes de inverno
inverno de minha alma
sou como a agua que pensa em tornar-se fogo
apenas para mudar
sou a ventania que bate na janela quebrada
de uma casa velha e enfadada de dias
sou como o espanto que a noite traz
sem fome, sem frio, sem sede, sem vida
sou criatura mais velha e vulgar
sou também toda voz desse povo
e silêncio maior nunca se fez nesta terra
sou como a areia, existente em qualquer lugar
e a lua, sozinha a banhar os homens com seu poder
sou como o céu que se vê, mas não se pode tocar
sou como um velho sozinho, sem forças pra viver
sou como um monsto sofrido, sem esperanças de aprender
sou todo o mundo e o mundo é o que vi
sou a esperança e por isto morri.
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