sábado, 7 de agosto de 2010

pois é, não deu.

Abriu-se o mar para meu pequenino barco velejar
só eu sei o quão solitário são estas águas
e por meio disto eu também me sinto solitário
quantos dias se passaram desde o meu primeiro dia aqui
e mesmo assim nada mudou
o tempo não vê mais chances para mim
eu me dobro, rasgo, incendeio
tudo em vão
grito, clamo, choro
tudo em vão
no final tudo em vão

deito sob a areia enquanto as ondas rebatem com força
pequenas gotas d'água, porque?
todos os dias este mar me pergunto onde foi de fato
o meu amanhã se esconder
pois em toda a minha existência apenas presenciei a escuridão
onde estão as sombras que pela luz são abençoadas
onde estão?
só eu sei onde a minha solitária vida pode enfim desaguar a sua angustia
eu deverei me importar com o acaso
mas o meu amanhã cade?

Um comentário:

  1. poderia te dizer coisas como: "sempre haverá um amanha, que nada é em vão" etc.
    mais na verdade nem eu mesmo acredito nisto, eu me sinto assim como você,
    como se o meu barco nunca pudesse chegar a um porto,
    como se a escuridão não fosse um ambiente,
    se não um verdadeiro estado da alma.

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